Com o início de mais um ano, renovam-se as esperanças de uma retomada consistente da economia brasileira. O aumento do nível de consumo no último trimestre de 2020 é um bom sinal do que nos espera. Hoje vamos falar dos desafios e tendências da logística em um segmento chave para esta recuperação: o varejo têxtil.

Ainda que se tenham interrompido com o fechamento de lojas na fase inicial da pandemia do Covid-19, as vendas no segmento voltaram a crescer no segundo semestre, puxadas pela reabertura do comércio e também pela guinada do e-commerce. Em 2020, as vendas por meio eletrônico deverão ser 32% maiores que em 2019, de acordo com estimativa da Pesquisa Conjuntural do Comércio Eletrônico (PCCE) da FecomercioSP.

O otimismo sobre o desempenho do setor não se baseia apenas neste canal de vendas – com participação pequena, ainda que em acelerado crescimento em relação aos canais tradicionais do comércio – mas principalmente devido à tendência mais ampla de intensificação do fast fashion, cultura de consumo de moda em larga escala que vinha de uma aceleração em nível global na última década até a eclosão da pandemia.

“A avidez por novidades já era uma tendência muito forte no varejo de moda, multiplicando os lançamentos de coleções ao longo ano”, explica Toni Trajano, CEO da Soluciona Logística. “Essa tendência agora volta com grande força, combinada aos novos hábitos de consumo por meios eletrônicos, adquiridos durante o isolamento”.

Estoques menores e alta frequência

A combinação de fast fashion e e-commerce desenha um cenário de desafios ao qual os operadores logísticos já estão tendo que se adaptar para se manterem competitivos. Juntas, estas duas tendências promovem a descentralização de estoques e o aumento na frequência de abastecimento nos pontos de venda, buscando fazer com que os produtos cheguem rapidamente ao cliente final.

O principal exemplo desta nova forma de atender ao mercado vem da Zara, que faz suas coleções alcançarem os quatro cantos do globo em menos de 48 horas. No Brasil, o deslocamento de grandes centros de distribuição para áreas mais próximas dos centros de consumo já era uma tendência entre os grandes grupos varejistas e se intensificou durante a pandemia.

O movimento inclui a conversão de lojas em mini hubs, onde o cliente tem a opção de escolher onde comprar, como receber, como devolver e também trocar, tudo com muito mais facilidade e conveniência

Nesta esteira também há os Marktplaces, que distribuem não apenas os produtos de marca própria mas também os itens de empresas de pequeno e médio porte que integram o portfólio da loja âncora na internet  – como Amazon e B2W – mas não contam com estrutura física de distribuição.

“Trata-se de um volume sempre crescente dos mais variados produtos e das mais variadas origens que deve chegar aos clientes rapidamente”, explica Trajano. “Em termos logísticos, o desafio está em atender à demanda por prazos de entrega cada vez mais curtos, com uma capilaridade de abastecimento cada vez maior, em um país de dimensões continentais, e sem aumento significativo nos custos de transporte”.

Soluções omnichannel

Segundo Trajano, “A convergência dos meios de consumo online offline, tal como ocorre na compra pela internet em que se retira ou troca um produto na loja física, requer gerir embarque, transporte e estoques de maneira integrada, com uso de tecnologia”, diz. “Já não há como pensar a gestão de custos e de riscos na logística sem a digitalização de processos e serviços, e quem não iniciar ou acelerar sua jornada de transformação digital vai certamente ficar para trás”.

Consolidação entre OLs

Na busca de soluções para o desafio do omnichannel, Trajano também identifica uma adoção gradual do modelo de descentralização, inaugurado pelos grandes grupos de varejo, por transportadores e operadores tradicionais.

“Embora sejam ainda majoritariamente ligados ao conceito de grandes centros de distribuição, temos visto um movimento de consolidação neste mercado, com grandes players adquirindo operadoras regionais e fazendo parcerias com operadoras de modais alternativos para ganhar maior capilaridade e agilidade de entrega, e isto deve se intensificar nos próximos anos”.

O Santo Graal da logística têxtil

Se a adoção de estratégias de descentralização na distribuição de mercadorias e multimodalidade nas entregas da última milha já são uma realidade, um novo horizonte de ganhos operacionais para a logística têxtil apenas se insinua na fase de embarque dos produtos, como explica Trajano: “O grande desafio para os grandes grupos do varejo têxtil é como unir de modo ágil os fluxos dos canais digitais e físicos desde o embarque, conciliando a disponibilidade de produtos espalhados pelo território com as diferentes demandas de frequência de abastecimento nas lojas físicas e nos canais virtuais”.

“Isto está longe de ser simples, e exige compartilhar recursos entre diferentes empresas, com diferentes processos, para ter escala e menor custo. Desenvolver um modelo de negócio que possa viabilizar esta operação equivale a encontrar o Santo Graal da logística têxtil”, afirma. “Para muitos analistas, este é o desafio da década no segmento.”

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