Sete lições da pandemia para o setor logístico

Eis que o longo ano de 2020 chega ao fim e são muitos os sinais de que o pior já passou: vacinas batem à porta, a economia consolida uma reação e aos poucos a confiança retorna, na produção e no consumo. Nosso blog aproveita o momento para olhar para trás e levantar as sete principais lições aprendidas pelo setor logístico no período, com comentários de Toni Trajano, CEO da Soluciona Logística.

1) Capacidade de adaptação


O setor logístico brasileiro não é para amadores. Não bastasse a precária infraestrutura para o transporte de carga, a última década foi abalada pela maior recessão dos tempos recentes e, em 2018, pela greve dos caminhoneiros. Quando, no final de 2019, tivemos o melhor Black Friday da história, todos acreditavam que o ciclo de prosperidade finalmente teria início – mas veio a pandemia do coronavírus, e os sonhos de crescimento voltaram a ser adiados.

A crise inesperada abalou os modelos tradicionais de negócios, exigindo uma reinvenção das empresas. A Soluciona Logística, que tinha seu portfólio dominado até o início do ano por contratos de transporte de grandes volumes junto ao varejo têxtil, da noite para o dia viu a cadeia ser interrompida por conta do fechamento de lojas e shoppings. Todo o setor teve que se reinventar.

Uma necessidade comum no período foi diversificar a atuação. “No nosso caso, tivemos que olhar para outros mercados, como o de fármacos e alimentos”, explica Toni. “Por sorte vínhamos de um processo de reposicionamento e revisão de nosso planejamento estratégico, e o que fizemos foi acelerar sua implantação, fechando contratos em segmentos com desempenho acima da média ainda no primeiro trimestre. Foi o que salvou o nosso ano”.

2) Humanização em alta


O pânico trazido pela incerteza sobre os reais impactos da pandemia, abrangendo desde questões econômicas até a saúde das pessoas, fizeram com que uma das habilidades mais valorizadas ao longo da pandemia fosse a gestão de pessoas e relacionamentos.

“Devido à sua história, o setor logístico é muito resiliente, mas nesta pandemia ele enfrentou novas e abrangentes limitações e desafios, que exigiram principalmente maior velocidade na tomada de decisão e uma verdadeira solidariedade, uma humanização efetiva das relações de trabalho e dos negócios”, diz Toni.

Na Soluciona, o processo de adequação ao novo momento passou pelo contato telefônico com cada fornecedor, para entender como eles liam a situação. Num segundo contato a empresa expôs suas necessidades, propondo e construindo a quatro mãos alternativas para os problemas. “Com nossos empregados, também houve uma conversa franca para expor a situação da empresa, e assumimos o compromisso de não realizar cortes na equipe, o que acabou se mostrando uma estratégia bem-sucedida.”

3) Cultura da colaboração


A comunicação entre os players do setor, incluindo concorrentes, ressaltou objetivos comuns em meio à crise, e possibilitou implementar estratégias de colaboração que se mostraram essenciais para dar coesão aos elos da cadeia logística e evitar uma crise abastecimento. “Colaboração é a palavra da vez, e ajustar-se a este novo modelo foi uma necessidade para pequenas e grandes empresas, que tiveram que olhar para o lado e firmar parcerias para sobreviver“, diz Toni.

Ainda que a cultura de compartilhamento não se torne o “novo normal” no curto prazo, ele acredita que a experiência de colaboração em 2020 vai permitir que muitas empresas se abram para trilhar esse caminho com maior desenvoltura de agora em diante.

4) Digitalização acelerada


Avançada no varejo e na indústria, mas ainda incipiente no setor logístico, a digitalização das empresas foi acelerada pela explosão do consumo eletrônico em 2020. Com lojas físicas de portas fechadas por conta da pandemia, o meio digital foi o canal primordial de consumo para grande parte da sociedade brasileira, com efeitos sobre toda a cadeia de produção e transporte.

“As compras pela internet exigem das empresas monitoramento em tempo real de estoques, sistemas para acompanhar a carga e informação para o cliente”, explica Toni. “O grande desafio é como entregar com rapidez, e isso passa por uma logística eficiente e digital, que disponha de informações e de processos rastreáveis em grande escala”.

Neste cenário, empresas que já se encontravam no caminho da digitalização, do last mile e do B2C, como Natura e Magazine Luiza cresceram, e outras como iFood e Loggi, que já nasceram digitais, viram explodir sua demanda de uma hora pra outra.

5) Ascenção das startups


A busca por automação e digitalização de processos logísticos tem cada vez mais o dedo de pequenas startups com soluções especializadas e criativas. Toni chama a atenção para o crescimento do ecossistema de startups de logística e tecnologia, que oferecem soluções boas, rápidas e baratas para as empresas do setor. “Já vemos um movimento de grandes varejistas incorporando startups a plataformas próprias, que integram toda a cadeia de suprimentos, e mesmo grupos empresariais que aceleram startups buscando soluções específicas”, explica.

6) No caminho da logística 4.0

Importante lembrar que a digitalização é um requisito essencial para a logística 4.0. Neste setor, onde a grande maioria das empresas ainda opera sobre uma base analógica, a necessidade de maior agilidade e visibilidade certamente fez com que muitas passassem a vê-la não mais como um diferencial de grandes empresas, mas como uma aquisição imprescindível para oferecer soluções de ponta e manter-se no mercado.

7) Do B2B ao B2C


O crescimento do e-commerce também está na raiz da mudança de atuação de grandes grupos e empresas de logística que literalmente se aproximaram do mercado consumidor, passando a atuar com maior capilaridade para poder garantir entregas rápidas de uma ampla variedade de produtos.

A estratégia envolve principalmente a descentralização de estoques e a locação de armazéns menores. “Um indicador inquestionável dessa tendência é o aquecimento do mercado imobiliário de galpões de médio porte em locais mais próximos dos centros consumidores”, aponta Toni.

A migração também passa pela incorporação de empresas regionais para atuar no last mile, o uso de modais alternativos para entrega a domicílio – como motos, bicicletas e drones –, a conversão de lojas físicas em ponto de experimentação ou entrega, acordos com estabelecimentos comerciais para entrega final, entre outros.

Vamos evoluir juntos?

A Soluciona oferece soluções otimizadas e inteligentes, de alta performance, com foco na redução de custos operacionais e maximização dos resultados das operações. Queremos ser seus parceiros nessa jornada. Que tal conversarmos sobre as necessidades da sua empresa?