O roubo de cargas figura entre os principais riscos operacionais para operadores logísticos e motoristas profissionais no Brasil. São quase 20 mil ocorrências por ano, em média, concentradas principalmente na região Sudeste, palco para oito em cada dez roubos  segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística).

O prejuízo alcançou cerca de R$ 1,4 bilhão em 2019, e não contabiliza o trauma e a perda de vidas humanas devido à atuação muitas vezes violenta das quadrilhas, que recorrem a sequestros relâmpagos e armas de grande potência, como pistolas e fuzis, para consumar o desvio de cargas.

Buscando mitigar riscos desta natureza, operadores logísticos e gestores de frota vêm recorrendo à tecnologia e ao planejamento inteligente de rotas. E também contam, desde 2020, com uma legislação mais rigorosa para inibir este tipo de crime, como veremos a seguir.

Monitoramento

Há nove categorias de mercadorias especialmente visadas por quadrilhas especializadas, devido ao valor do que é transportado: produtos alimentícios, combustíveis, produtos farmacêuticos, autopeças, têxteis e confecções, cigarros, eletroeletrônicos, bebidas e defensivos agrícolas.

Por estarem na mira das quadrilhas, frotas de caminhões que atuam nestes segmentos cada vez mais contam com sistemas avançados de monitoramento, que incluem rastreadores instalados nos veículos de transporte e “iscas” com sinal de radiofrequência ou satélite plantadas em meio à carga. Também dispõem de uma variedade de sensores para controle em tempo real do que ocorre no veículo, com dispositivos instalados no baú e nas portas, para identificar sua abertura, além de sensores de presença na cabine.

São recursos que atuam de modo discreto e automático, acionando alertas em caso de paradas não programadas, o que permite acionar a polícia sem demora, quando necessário. Ao dispensar o acionamento manual, estes sistemas também ampliam a sensação de segurança do motorista – que neste nível de monitoramento ainda pode recorrer ao botão de pânico, caso se veja numa situação de risco.

Outra tecnologia avançada que vem se tornando popular neste mercado é o dispositivo de imobilização eletrônica do motor, acoplado a este por um processo de resinagem e controlado remotamente. Sua desativação por ladrões é muito mais difícil que a oferecida pelos tradicionais bloqueadores. E não esqueçamos dos baús com blindagem eletrificada, que ainda apresentam uma camada extra de malha metálica também eletrificada para evitar o acesso à carga.

Planejamento de rotas

Atuando no transporte de produtos de setores de alto risco como os de fármacos, têxteis e eletroeletrônicos, a Soluciona Logística explora todo esse leque de dispositivos tecnológicos em sua frota de mais de 600 caminhões – entre próprios e contratados – para garantir a segurança de carga. Mas segundo Luciano Minelli, responsável pelo gerenciamento de risco logístico e de frota da empresa, apenas dispor dos equipamentos mais atualizados não garante a segurança máxima no transporte, sendo preciso adotar medidas redundantes para inibir ou frustrar roubos.

“O crime organizado também se atualiza, então é preciso oferecer junto a essas tecnologias um planejamento inteligente de rotas, desenhado em parceria com empresas de gerenciamento de risco”, diz. Trata-se de uma programação antecipada de “rotas otimizadas”, com horários predefinidos, buscando o trajeto mais apropriado por vias com baixos índices de roubos e com postos seguros de parada. “Em situações de maior risco e com mercadorias de alto valor, o veículo também se faz acompanhar por escolta armada”, acrescenta.

Nova legislação

Um grande passo no combate ao roubo de cargas foi dado no início de 2020, quando entrou em vigor a Lei 13.964/19, conhecida como “Pacote Anticrime”. Ela trouxe alterações à legislação penal que converteram o roubo de carga em crime hediondo, e passaram a dificultar a progressão de pena e liberdade provisória para condenados em caso de uso de armas mais potentes, sequestro e morte do condutor.

Uma vitória para todos os agentes do setor de transportes, mas ainda há avanços a conquistar. “Vencida esta etapa, o foco deve agora centrar-se no combate à receptação, buscando o agravamento penal para a pessoa física do receptador e o cancelamento da licença de funcionamento do estabelecimento utilizado para a prática criminosa”, explica o consultor de segurança Cel Paulo Roberto de Souza.

Vamos evoluir juntos?

A Soluciona oferece soluções otimizadas e inteligentes, de alta performance, com foco na redução de custos operacionais e maximização dos resultados das operações para o mercado farmacêutico. Queremos ser seus parceiros nessa jornada. Que tal conversarmos sobre as necessidades da sua empresa?