Os desafios da logística omnichannel

Se já era uma tendência nos anos recentes, o omnichannel, ou multicanalidade, conquistou de vez um lugar entre as principais estratégias de mercado ao longo de 2020.  Hoje vamos entender as implicações desta nova forma de consumir para a logística.

A era da convergência

Também chamada de O2O, ou offline-to-online, a estratégia omnichannel busca melhorar a experiência de compra do consumidor na era digital, ocorra ela na loja física, no site ou no aplicativo da loja. A integração das plataformas de venda, além de reforçar a identidade da marca, permite que a jornada do cliente seja multicanal: ele consulta os preços no site, recebe a assistência de um vendedor na loja física e solicita a entrega em sua casa – ou, se preferir,  faz a aquisição pelo aplicativo e troca ou devolve na loja etc.

A convergência dos processos e plataformas de compra é a principal característica da multicanalidade. Em 2020 essa forma de consumo acompanhou a enorme onda de crescimento do comércio eletrônico durante a pandemia do Covid-19. O isolamento social acelerou a digitalização dos lares brasileiros, que passaram a comprar ou intensificaram a aquisição de todo tipo de bens pela internet. No atual ritmo de crescimento, o comércio eletrônico chegará a 15% do volume do comércio em 2021, dobrando sua participação em relação a 2019, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).

O varejo acompanhou esse movimento com uma migração maciça de lojas para a nuvem, gerando um efeito cascata sobre toda a cadeia logística. Isto porque o consumidor, já bastante exigente em termos de preço e cada vez mais crítico em relação à qualidade, vem se acostumando com prazos de entrega cada vez menores, independente do canal que se utilize para a compra. E conciliar tantas exigências está longe de ser uma tarefa simples, como bem sabem os profissionais de logística…

Resolvendo a equação logística

No mês de abril, o fechamento das lojas de rua e shoppings fez com que o comércio eletrônico passasse a bater recordes de volume transacionado e faturamento. Para dar agilidade à entrega de produtos comprados online, grandes varejistas passaram a utilizar suas antigas lojas como mini-centros de distribuição, as dark stores – uma manobra logística que reduziu a extensão da última milha e conferiu maior rapidez à entrega.

Assim, quando as lojas voltaram a abrir, muitos pontos de vendas se viram convertidos em uma extensão dos longínquos centros de distribuição, que atendem tanto ao pequeno varejo urbano quanto ao cliente final. No entanto, por trabalhar com estoques reduzidos de uma grande variedade de produtos, a operação desses pontos de venda demanda uma adaptação radical para mantê-los sempre abastecidos.

“Para o operador logístico, o desafio se traduz na seguinte equação: como aumentar a velocidade e a frequência de abastecimento a redes de lojas nos centros urbanos de um país de dimensões continentais, com grande parte de seus centros de distribuição concentrados no eixo Rio-São Paulo?”. Quem coloca a questão é João Trajano, diretor de operações da Soluciona Logística, de São Paulo. “No modelo tradicional, o caminhão aguarda até ter carga máxima para percorrer grandes distâncias, reduzindo o preço do frete. Contudo, para alcançar os centros urbanos com a eficiência e na velocidade que o mercado vem exigindo, é preciso se reinventar.”

Como a logística se torna omnichannel

O nome desta reinvenção é logística omnichannel. Ela se baseia na integração da operação logística da saída da fábrica à última milha, por meio de parceria entre operadores logísticos e modais alternativos nos centros urbanos, como bicicletas, motos, carros e entregadores a pé.

As mudanças trazidas pela pandemia  afetaram os negócios inclusive de quem não atende última milha, obrigando as empresas a acelerar a digitalização. “A nova dinâmica de mercado trazida pelo e-commerce está forçando os operadores a criar estruturas mais robustas e incorporar tecnologia para integrar os novos modais, identificando ociosidades e otimizando o uso dos recursos existentes para a entrega”, explica João.

Assim, o impacto do crescimento do e-commerce sobre a cadeia de suprimentos foi menor sobre as empresas que já se encontravam em alguma fase da jornada de digitalização. “Há um certo desconforto no setor, acostumado a lidar com meios físicos, com a entrada de novos players que trazem a tecnologia de berço, mas este é um processo irreversível, e quem não estava preparado terá que acelerar sua transformação digital”, diz.

Uma revolução de oportunidades

João não tem dúvidas que o compartilhamento de recursos na última milha antecipa o futuro do transporte e é, além de um desafio, uma grande oportunidade que se abre para os operadores atualmente. “A logística omnichannel é uma revolução impulsionada pela tecnologia que já está acontecendo em escala nos grandes centros, e que agrega serviços para oferecer uma solução completa de transporte no médio e longo prazos.”

Para entregar com rapidez os produtos adquiridos pelos consumidores nos mais diversos canais, também se exige da logística uma sintonia fina com os processos de marketing, venda, pós-venda e faturamento, além do monitoramento em tempo real de estoques, gestão de fornecedores, sistemas para rastrear a carga… uma integração impensável sem o auxílio da tecnologia.

A digitalização sustenta e potencializa os negócios, dando escalabilidade e permitindo maior compartilhamento dos recursos para cumprir com prazos de entrega cada vez mais apertados. E ao centralizar a gestão da cadeia de suprimentos, ela também possibilita o controle em tempo real de estoques em loja e no armazém, e uma logística reversa com o menor custo operacional possível.

João acredita que as novas fronteiras da logística também apontam para uma intensificação dos processos de terceirização de operações do varejo em todo o setor. “É algo comum na fase de transporte, mas que a tecnologia vai possibilitar estender para a gestão de armazéns e para o embarque compartilhado de cargas, abrindo uma grande oportunidade para os operadores logísticos.”

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