A logística inteligente na retomada do varejo

Com a pandemia da Covid-19 e o decreto de quarentena que atingiu os estados brasileiros em diferentes níveis desde março de 2020, todos os esforços de recuperação da economia dos anos anteriores foram postos abaixo. No setor logístico, mais de 70% das empresas apontaram queda de demanda desde o primeiro mês das medidas de isolamento social, sofrendo diretamente os impactos da suspensão das atividades do comércio, o fechamento de shopping centers e da redução da renda do consumidor, que está mais seletivo em relação às compras.

Embora setores essenciais do varejo – como o de supermercados e farmácias – formem um cinturão resiliente à crise, as vendas de automotivos e eletrônicos caíram drasticamente, seguindo uma queda de produção industrial percebida em escala global. Apesar da explosão das vendas pelo e-commerce, a maioria das varejistas teve uma grande queda no lucro no primeiro semestre de 2020. Agora, com o comércio de rua e os shopping centers liberados para abrir ao público por algumas horas ao dia, algumas novas expectativas se acenderam. Mas quais os impactos da retomada do varejo? Como o setor logístico deve reagir e atuar nesse momento? O que podemos esperar?

Antes do prognóstico, um diagnóstico preciso do momento

Segundo Luís Cláudio Martão, executivo de logística e operações de varejo com 30 anos de experiência, a maioria das organizações ainda está avaliando e quantificando os impactos da pandemia até agora, se desdobrando para cumprir obrigações contratuais e manter a produção e distribuição de produtos. “As estatísticas nos mostram perdas de faturamento de 10 a 50% neste período. A crise provocada pela Covid-19 praticamente inutilizou os modelos de previsão de demanda, de planejamento do supply chain, de uso de mão de obra e de projeção de caixa”, aponta o especialista.

Sem dúvidas, quem depende de produtos ou insumos externos é justamente quem mais sofre por conta das alterações nas cadeias de importação e exportação. Em contrapartida, aumenta a pressão para tornar as cadeias de produção menos globalizadas, mais locais. Entretanto, essas mudanças ainda devem demorar a trazer efeitos visíveis na economia e o momento atual ainda exige cautela. “O retorno gradativo das operações do comércio varejista tem sido avaliado por todos como muito aquém das expectativas. Ainda há muito medo de aglomerações do do contágio. A pandemia ainda não acabou”, afirma Martão.

 O que muda na logística com a retomada do varejo?

As empresas estimam retornar às suas operações entre 4 e 6 meses, ou seja, até o fim de 2020. Para Martão, a retomada total vai ocorrer gradativamente. “As maiores preocupações das empresas após a crise estão muito voltadas ao gerenciamento da cadeia, pois ainda não temos dimensões exatas dos impactos gerados para a cadeia e para a saúde financeira das empresas. Grande parte delas congelaram seus investimentos em supply chain, e nas que mantiveram, esse não é o principal foco do momento. Todas reavaliaram seus planos de futuro e estão tomando ações para equalizar as contas”, diz ele.

Para Martão, as principais mudanças serão:

1. Produção em regiões mais próximas

Uma opinião unânime até o momento, entre os especialistas, é que preço não compensará a distância percorrida entre fornecedores, centros de distribuição e lojas.

2. Diversificação do local de produção

Essa deve ser uma resposta à desaceleração da globalização da cadeia de suprimentos, que pode ajudar a reduzir a dependência exclusiva de um país ou de um fornecedor.

3. Visibilidade da cadeia de suprimentos

As organizações precisam entender onde estão os problemas. Esse mapeamento vai ajudar agora e no futuro, tornando-se uma tendência em logística pós-pandemia.

4. Mais colaboração com fornecedores

Quando a organização tem visibilidade de suas cadeias de suprimentos, criam-se as condições para a última tendência em logística no pós-pandemia: a colaboração de empresas e fornecedores, dentro da chamada economia do compartilhamento.

5. Digitalização da cadeia logística

A pandemia mostrou fragilidades como a inadequação de estoques, o gerenciamento manual, a baixa transparência e a falta de flexibilidade em logística. Todos esses problemas estão relacionados não somente à falta de visibilidade da cadeia de suprimentos, mas também à falta de inteligência nos processos. A digitalização deve ajudar a solucionar esses pontos.

O papel da logística no e-commerce: temos um novo normal?

Em alguns setores do varejo, as vendas online cresceram entre 30% e 40% durante a pandemia, demandando novos esforços e adaptações logísticas entre as grandes varejistas e as empresas transportadoras. Este é mesmo o novo normal ou apenas uma situação transitória, enquanto as lojas ainda não podem funcionar plenamente?  Para Martão, os hábitos de compras delivery e via e-commerce vão continuar em franco crescimento, obrigando as transportadoras a trabalharem com cargas fracionadas e entregas individualizadas em diversos pontos do país. Muitos empreendimentos terão de rever suas estratégias comerciais, refletindo numa maior procura das empresas de transporte especializadas em entregas urbanas.

A nova lógica deve ser assim:

  • Consumidores passam a comprar em lojas virtuais com mais frequência
  • O varejo digital é levado a aprimorar seus serviços de entregas
  • As transportadoras precisam se especializar em entregas residenciais
  • Cresce o número de centros de distribuição regionalizados
  • Surgem novas formas de entrega e retirada de mercadorias

Quais os aprendizados para os profissionais atuantes nas cadeias logísticas?

Segundo Martão, as mudanças nos padrões de consumo terão um grande e longevo impacto em supply chain, incluindo uma revisão da matriz de investimentos, mudanças nos modelos de planejamento e a aceleração das vendas pelo canal online. Portanto, são muitas as oportunidades de aprendizado.

Ele destaca o despertar de quatro novos “modos de operação” que podem ser observados nos profissionais da área, independente da etapa e do “lado” em que atuam dentro do setor logístico:

  • Modo de crise

“É o que eu chamo de estar sempre alerta. Nunca vivemos nada igual e a crise nos ensinará a estar mais preparados para os desafios futuros”, afirma o especialista.

  • Modo de reinvenção

O que aprendemos até agora com as crises passadas precisa ser reinventado.  Todos necessitamos ser mais ágeis, pois nada será como antes.

  • Modo aprendizado

Trata-se da capacidade de aprender com essas situações e ver a vida de uma outra maneira.

  • Modo solidariedade

Estamos atravessando uma mudança na consciência coletiva, trazendo uma visão do todo e não somente do eu e uma preocupação maior com o próximo. Essas questões devem ter impacto também nas corporações, na economia, e consequentemente no mundo da logística.

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