Chegou mesmo a era dos drones na logística?

Novos modais logísticos estão sempre em pauta nos debates sobre o futuro e ganharam ainda mais destaque com a aceleração da transformação digital vivida nestes tempos pandêmicos. O uso de drones – aeronaves remotamente controladas –  na logística é um dos pontos que mais despertam a curiosidade e o interesse de profissionais da área e de todos os entusiastas da inovação. Será que a era dos drones na logística já chegou? Ou ainda estamos longe de entender todo o potencial dos drones para supply chain? Quanto tempo falta para este modal se tornar uma opção corriqueira no mercado?

Um estudo publicado pelo McKinsey aponta que 80% de todas as entregas devem ser feitas por drones no futuro, com algumas mudanças visíveis já em 2025. Os benefícios são vários. Drones significam mais segurança, rapidez, praticidade e controle quando utilizados em operações logísticas e podem barateá-las substancialmente com a redução de custos com combustíveis e mão-de-obra de motoristas e entregadores. Além disso, um estudo publicado na revista Nature aponta que os drones podem trazer impactos positivos ao meio ambiente, considerando uma eventual redução de gases poluentes dos veículos terrestres, principalmente os caminhões movidos a diesel.

 Uso de drones na logística: indicadores promissores

O mesmo material da McKinsey, publicado em 2018, traz três indicadores de tendências que ficaram ainda mais evidentes e próximas da nossa realidade com a necessidade de isolamento social durante a pandemia. Vale lembrar que a explosão do e-commerce e do delivery já estão acontecendo no Brasil.

  • Entre 20% e 25% dos consumidores optariam por entrega no mesmo dia ou na mesma hora se o preço do frete fosse mais barato do que hoje em dia. Esses consumidores querem ter cada vez mais opções de modais para entrega, o que só mostra o potencial dos drones para o last-mile. A redução de custos para o consumidor final e a rapidez das entregas podem alavancar as vendas do varejo.
  • Os veículos aéreos autônomos, ou seja, os drones que não precisam ser controlados em tempo real pelo ser humano e podem navegar por inteligência artificial, têm um grande potencial de expansão: essa tem sido a tecnologia dominante entre as novidades do mercado
  • As dinâmicas competitivas estão mudando e os players do mercado precisam estar preparados para operar com a melhor tecnologia disponível, pois as mudanças ocorrem muito rapidamente. Ficar para trás pode ser fatal.

Por que os drones ainda não são realidade no varejo e na entrega de comida?

 

         A Amazon, maior gigante do varejo global, ainda está testando o uso de drones para a entrega de suas encomendas em vários países. Apesar da grande promoção da primeira entrega de pizza via drone na Nova Zelândia, em 2016, a Domino’s Pizzas ainda não implantou esse modal em suas operações no dia a dia em todas as localidades em que atua. No Brasil, o iFood quer combinar o uso de drones e de entregadores humanos para reduzir o tempo de entrega de comida. Outras empresas estão na mesma trilha.

Na prática, os drones devem fazer uma parte do percurso de entrega. Vamos dar um exemplo!

 

Logística de um pedido de app  delivery retirado num shopping center hoje:

  • O entregador estaciona a moto ou bicicleta, sobe pelas escadas rolantes/ elevadores até a praça de alimentação, localiza o restaurante, espera o pedido, e faz todo o percurso de volta até subir na moto e partir para a casa do cliente.
  • Vamos supor que o trajeto leve cerca de 15 minutos (estimativa)
  • Se ele errar o caminho dentro do shopping, pode ser que demore até 30 minutos para cumprir o trajeto, atrasando a entrega do pedido

Logística de um pedido de app  delivery retirado num shopping center com drone:

  • O entregador estaciona a moto no local indicado pelo shopping (vamos supor que seja na ala C)
  • Um mensageiro do iFood dentro do shopping se encarrega de ir buscar o pedido e trazer para a saída onde se encontram os drones de entrega (vamos supor que seja na ala A)
  • O drone faz rapidamente o percurso externo do shopping, levando o pedido ao entregador
  • O pedido chega muito mais rápido na casa do cliente

Existem três razões para que isso ainda não esteja acontecendo. A primeira é que ainda necessário ter um bom volume de pedidos num mesmo local para compensar o custo da operação com drones. A segunda é que os aparelhos ainda estão em evolução e passam por testes. A terceira é que tudo isso depende da legislação vigente em cada localidade. No Brasil, a regulação é determinada pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), que homologa todos os aparelhos para o espaço aéreo do país e determina as regras de operação.

Hoje, a lei brasileira diz que o controlador do drone precisa ter contato visual com o drone durante toda a operação, da decolagem ao pouso. Para voar em percursos mais longos, sem que o controlador o acompanhe visualmente durante todo o trajeto, o aparelho precisa estar homologado na ANAC, o que demanda um processo de testes acompanhado diretamente pelos engenheiros aeronáuticos da agência. O tempo para a liberação é demorado.

Segundo Marcelo Musselli, CEO da Aeroscan, é possível que os principais gargalos sejam sanados em até 5 anos. A  empresa é brasileira e desenvolve drones com inteligência artificial embarcada e plataformas de automação para diferentes segmentos.

O que fazem os drones aplicados à logística no Brasil?

No Brasil, já existem drones sendo utilizados na segurança patrimonial (ronda perimetral) de centros de distribuição. Mas a expectativa é de que, em breve, eles possam monitorar operações de carga e descarga, verificar a movimentação de itens e fazer a entregas, atendendo aos mercados B2B e B2C.

De acordo com Marcelo, ainda falta desenvolver uma aplicação para warehouse – com controle de inventário, transporte de insumos entre galpões, logística reversa, entre outras possibilidades. “Os drones ainda não têm tantas especificidades, não conseguem atravessar os pallets de um armazém ou scannear as caixas como se fosse um raio-X de aeroporto. Mas eles ainda vão evoluir muito. Há também a possibilidade de desenvolver drones terrestres capazes de detectar roubos de cargas, como se fossem robozinhos que tomam notas e filmam todos os detalhes em tempo real”, afirma.

A carga máxima suportada por um drone logístico, incluindo seu próprio peso, é de 25 kg – configurando-o como Aeronave Classe 3 de acordo com a resolução RBAC-E94 da ANAC, . Isso significa que, além da entrega de alimentos ou pequenas cargas de varejo, os drones podem fazer a diferença no transporte de produtos de alto valor agregado, medicamentos e insumos hospitalares, por exemplo. Algumas soluções nessa linha já estão sendo testadas para atender a demandas urgentes em um tempo muito mais rápido, sem enfrentar o trânsito e o caos das ruas, sem o risco de roubo ou furto de carga. “A existência de soluções mais específicas para esses nichos também depende da conversa, do interesse mútuo entre as empresas que podem se beneficiar do uso de drones e os desenvolvedores. Não há produtos de prateleira, as soluções dependem de investimento e testes de viabilidade para a logística. Quem fizer isso primeiro, estará um passo à frente do mercado e isso é muito valioso”, completa Marco Forjaz, diretor executivo da Aeroscan.

Vamos evoluir juntos?

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